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09/11/2009
PROCATE - Criatividade solidária

Podemos dizer que o Brasil é carregado na carroceria de um caminhão, para vários “Brasis” dentro de um mesmo país. O transporte rodoviário é praticamente o único transporte de cargas do nosso país. Esse trabalho difícil, exaustivo e perigoso é feito por pais de família que tem em seu ofício um reconhecimento mínimo de valor pelas autoridades federais e estaduais e pela sociedade civil. Portanto, qualquer gesto ou atitude de melhoria por esta classe é sempre bem-vinda.


Hoje uma das maiores dificuldades desses homens é a busca por frete, que depende dos atravessadores ou como são mais conhecidos, os agenciadores. São pessoas que detem e monopolizam a informação das necessidades de fretes das transportadoras como, por exemplo, valores do transporte, destino e empresa contratante. E essas informações são caras. Em sua grande maioria chegam a custar mais de 5% a 20% do valor do frete. Valor este, que merecidamente, iria para o bolso do carreteiro no final do transporte, mas acaba ficando na mão do agenciador.


Contribuindo para a má remuneração dos caminhoneiros brasileiros, que chegam a ficar dias parados em pátios e estacionamentos, com pouco ou quase nenhum recurso financeiro, esperando um frete para sua Cidade de origem, pois não podem voltar com o caminhão vazio, como dizem os mesmo “batendo lata”.


PROCATE


Frente a essa dificuldade do setor o empreendedor Anderson Maroque, que trabalhava em uma transportadora e conhecia a necessidade da classe há seis anos, criou um equipamento chamado terminal, que fará um contato direto entre transportadoras e caminhoneiros.


Neste equipamento, que lembra um terminal bancário moderno, a transportadora disponibilizará, através de um programa on-line, todas as informações de seus fretes em aberto, como carga, caminhão necessário para o transporte, destino e valor a ser pago. Na outra ponta, o carreteiro, que se associa ao sistema pelo valor de R$ 80 mensais, acessa o terminal com um cartão magnético, contendo todas suas informações e do seu caminhão, e lá encontra os fretes disponíveis na região em que está e em qual estado deve ser entregue. Confirmando o interesse pelo carreto a transportadora recebe os dados do caminhoneiro instantaneamente pelo sistema on-line e pode aceitar ou recusar o interessado.


O nome do projeto e da empresa criada em função dele é PROCATE (Processamento de Cargas Terrestre). “Nosso objetivo é instalar os terminais em postos de combustíveis, terminais de cargas e estacionamentos de caminhões. Porque o foco do projeto é o caminhoneiro”, disse Anderson. Hoje a frota nacional de carreteiros autônomos é de 1,2 milhão e a PROCATE já conta com 10% desse número, ou seja, 120 mil motoristas.


“A aceitação do projeto pelos carreteiros foi unânime. Somos a salvação deles. E a aceitação das transportadoras é de 98%, porque os outros 2% dão conta de seus transportes com a frota que possuem”, explicou Anderson.


O projeto tomou proporções muito maiores do que o próprio criador imaginava. “Como o projeto ficou grande e com um alto custo para ser implantado dividimos a empresa em duas partes. Uma parte de 50% retivemos e o restante fizemos 25 cotas de 2%. Dessas cotas oito já foram negociadas”, esclareceu Anderson. Uma dessas cotas foi adquirida por um suplente a senador, o paraibano Antônio Porcino Sobrinho, presidente da Federação Nacional dos Empregados de Postos e Serviços de Combustível. “Constatei a necessidade do setor, e vi uma forma licita de lucro”, disse o empreendedor.


Além de eliminar o agenciador, o PROCATE trará muitos benefícios para o caminhoneiro.


Um deles, que está em fase de negociação, é o seguro para incapacidade temporária dos caminhoneiros, dentre outros benefícios. “Traremos também planos de saúde, para o caminhoneiro e sua família com o custo reduzido de até 50%”, explicou Maroque.


Há seis meses a PROCATE é empresa incubada residente na Incubadora de Guarulhos. “A incubadora fez um elo entre nós e os grandes empresários de São Paulo. Apoiamos muito com parcerias na parte tecnológica, de marketing, assessoria comercial e financeira. Tudo isso aumentou muito nossos contatos”, disse Anderson Maroque.


Essa idéia inovadora, que pode trazer mudanças positivas profundas em uma classe trabalhadora, começou a ser idealizada há três anos por Maroque, que tem apenas 27 anos de idade. “Tive a idéia e desenvolvi a ferramenta, mas precisava de uma parceria na área de T.I. para desenvolver o banco de dados”, explicou o jovem empreendedor. Para compor essa parceria Maroque trouxe para o PROCATE, Bruno Andrade, proprietário da transportadora Campinense, e Roberto Bernardoni, técnico em T.I na área de transporte.


O PROCATE será lançado em abril de 2010, como um projeto piloto. E em julho, com mais de 40 terminais em todas as capitais do país, será aberto para o mercado nacional. “O projeto superou as expectativas. Sinceramente não esperava. Hoje vejo o PROCATE com o um ato social que veio pra beneficiar uma classe que tem uma realidade cruel. Quero continuar ajudando esse setor que é esquecido e não tem o lado humano valorizado”, finalizou o pai do projeto.

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